Oficina fortalece grupos reflexivos na comarca de Ituporanga, no Alto Vale
Capacitação reuniu 23 participantes e integra o programa estadual para prevenir reincidência
Redação RWTV - Alto Vale

Fortalecer a rede de proteção e transformar realidades por meio do diálogo e da responsabilização. Com esse propósito, a comarca de Ituporanga promoveu no último mês uma oficina vivencial sobre grupos reflexivos voltados a homens autores de violência doméstica no Alto Vale. A capacitação reuniu 23 participantes dos municípios de Atalanta, Chapadão do Lageado, Imbuia, Leoberto Leal, Petrolândia e Vidal Ramos.
Realizada nos dias 12 e 13 de fevereiro no Salão do Clube dos Idosos (Grupo da Terceira Idade), na cidade de Atalanta, a atividade integra o Programa Estadual de Reflexão, Sensibilização e Responsabilização de Homens Autores de Violência contra as Mulheres (PROHAV), instituído no âmbito do Poder Judiciário de Santa Catarina. O programa, vinculado à Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID), estabelece diretrizes para a responsabilização de autores de violência, prevenindo a reincidência e assegurando o cumprimento das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Para viabilizar a implementação dos grupos reflexivos na comarca, o juiz Matheus Arcangelo Fedato e a promotora de Justiça Renata Bezerra Marinho de Oliveira fizeram contato com a CEVID, com apoio da servidora Michelle de Souza Gomes Hugill. Ainda em dezembro de 2025, foram realizadas duas reuniões virtuais preparando as equipes para as oficinas presenciais deste ano. Da oficina presencial participaram o psicólogo Antônio Carlos José Britto e a assistente social Rosilene Aparecida da Silva Lima.
Segundo o magistrado, a iniciativa representa um avanço concreto na articulação regional. “A oficina foi um passo fundamental para fortalecer a rede de proteção local nos municípios da nossa comarca. Os grupos reflexivos buscam atuar na desconstrução da cultura de violência e estão aliados à finalidade de pacificação social do Poder Judiciário”, afirmou o juiz Matheus.
Ele destacou ainda que a troca de experiências capacitou as equipes para um atendimento voltado à conscientização dos autores de violência doméstica acerca de suas responsabilidades. “Utilizar a perspectiva de gênero nessas dinâmicas é fundamental para desconstruir padrões violentos e promover a segurança das mulheres de forma sustentável. A atividade agregou valor ao oferecer conteúdo prático relevante, garantindo que a resposta estatal à violência doméstica seja técnica, humana e transformadora para a sociedade”.
Em sua fala, a promotora de Justiça Renata Bezerra Marinho de Oliveira destacou o trabalho realizado na comarca. “Em nome da 2ª Promotoria de Justiça e das vítimas de violência doméstica, venho agradecer imensamente a disponibilidade dos profissionais do CEVID nesta capacitação presencial, prática e fundamental da rede de atendimento." Ela reforçou ainda a importância do trabalho conjunto: “O Ministério Público e o Poder Judiciário seguem firmes na missão de diminuir números locais impactantes e confiantes na breve implementação dos grupos reflexivos em cada um dos sete Municípios que compõem a Comarca de Ituporanga”.
As atividades contaram com o apoio da comarca e da Secretaria Municipal de Assistência Social de Atalanta, responsável pela organização do espaço, lanche e disponibilização de servidoras durante toda a programação. A equipe da CEVID ressalta que o suporte da secretaria foi fundamental para a efetiva realização da atividade.
Para os municípios participantes, a formação representa um passo decisivo na qualificação das políticas públicas de enfrentamento à violência. A psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social - CRAS de Vidal Ramos, Rafaela Simiano, destacou que a oficina proporcionou maior segurança técnica às equipes no desempenho de suas atribuições.
“A participação do município de Vidal Ramos nessa capacitação é, para nós, um passo importante na qualificação das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres. Ao longo do tempo realizamos campanhas de conscientização, que são importantes, mas sentimos que elas ainda carecem de mais efetividade prática. Nesse sentido, o Grupo Reflexivo para Homens Autores de Violência contra as Mulheres surge como uma estratégia mais estruturada, que trabalha diretamente a responsabilização e a mudança de comportamento dos autores da violência”.
Para ela, participar da oficina deu mais segurança para implantar o trabalho de forma efetiva. “A metodologia foi extremamente assertiva, muito prática, deixando bem claras as estratégias que podem ser incluídas na dinâmica dos grupos, isso nos ajuda a organizar uma proposta consistente, com potencial real de reduzir a reincidência e fortalecer a proteção às mulheres”, afirmou.
NCI/Assessoria de Imprensa


