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Polilaminina: Molécula em formato de cruz, desenvolvida no Brasil, abre caminho para novo tratamento de lesão medular
Pesquisa avança para testes em humanos e reacende esperança de regeneração da medula espinhal
Redação RWTV - Alto Vale

Uma molécula desenvolvida por pesquisadores brasileiros pode representar um avanço inédito no tratamento de lesões na medula espinhal, condição que hoje não possui terapia capaz de reverter danos neurológicos severos. A substância, chamada polilaminina, acaba de avançar para uma nova etapa de estudos, com autorização para testes iniciais em humanos.
Segundo reportagem da BBC News Brasil, a polilaminina é uma versão modificada da laminina — proteína produzida naturalmente pelo organismo durante o desenvolvimento embrionário. Em laboratório, a molécula demonstrou capacidade de criar um ambiente biológico favorável à regeneração dos axônios, estruturas responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos.
A pesquisa é conduzida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com o laboratório Cristália. Os testes pré-clínicos, realizados em animais, apresentaram resultados considerados promissores, com recuperação parcial de movimentos e funções neurológicas.
Em entrevista à BBC, a pesquisadora Tatiana Sampaio, uma das responsáveis pelo estudo, destacou o potencial da descoberta, mas fez questão de reforçar a necessidade de cautela. “Ainda estamos em uma fase inicial. É um processo longo, que exige muitos testes para garantir segurança e eficácia, mas os resultados obtidos até agora nos permitem avançar com responsabilidade”, afirmou.

O passo mais recente foi a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início da fase 1 dos ensaios clínicos em humanos. Nesta etapa, o foco principal é avaliar a segurança da substância e possíveis efeitos adversos, não sendo ainda destinada a comprovar sua eficácia terapêutica.
Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que, apesar da expectativa gerada, o tratamento ainda precisará passar por outras fases de testes antes de qualquer possibilidade de uso em larga escala. Mesmo assim, a polilaminina já é considerada uma das pesquisas mais promissoras do país na área de regeneração neurológica.
Fonte: BBC News Brasil


